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terça-feira, 12 de julho de 2011

Jeanete, na religiosidade

Jeanete, na religiosidade
Há pessoas na vida que desde cedo são despertadas para os valores espirituais. Minha mãe foi um dessas. Sempre considerada como mulher mística e fervorosa, de fé inabalável e temente a Deus. Participava de missa e comunhão diária. Fazia de Deus o centro de tudo sendo um exemplo de religiosidade. A Bíblia era seu livro de cabeceira. Autêntica quanto ao seu agir. Nunca negava esmolas. Viveu na simplicidade, evitando o supérfluo e o desperdício. Essas eram suas características marcante fazendo parte de sua personalidade.
Era oriunda de família com princípios religiosos. Sua mãe foi sua catequista. E ainda no colo deu-lhe os primeiros ensinamentos. Aprendeu tudo muito rápido e fez logo sua Primeira Comunhão. Seus pais tinham em casa, capela particular, onde havia hábito do terço diário à noite, além de missas dominicais.
Desde criança mostrava-se, em casa e no colégio, como fervorosa nas práticas religiosas. Estudou em colégios de freiras: Catarinas e Doroteias. Participou durante sua mocidade da Pia União das Filhas de Maria e do Apostolado da Oração do Sagrado Coração de Jesus. Depois de casada, com 37 anos e como admiradora inconteste de São Francisco, entrou para a Ordem Terceira Franciscana Secular, firmando votos de pobreza e de caridade no dia 19/03/1948.
Foi catequista de seus filhos e se aprimorou nessa atividade chegando a dar aulas de religião no Colégio São Luiz Gonzaga. Foi membro ativo do Cursilho de Cristandade destacando-se por suas palestras, em grupos diversos, de temas religiosos.
Teve participação atuante no franciscanismo, tanto no Piauí como no Ceará, tendo sido Mestra de Noviças e Ministra participando do Conselho Nacional que lhe oportunizou ida a Congressos e Assembleias Estaduais por todo território nacional representando o Piauí. Foi uma das fundadoras da JUFRA – Juventude Franciscana, movimento entre jovens da Paróquia de São Sebastião, em Parnaíba – Piauí.
Nos últimos anos de sua vida dedicou-se a um trabalho constante com enfermos fazendo parte da Ala Paciente com Franciscanos Seculares. Estendeu sua experiência de trabalho com hansenianos, pois como voluntária foi uma das fundadoras do IGAPA Clube -, Instituição de Garantia Assistencial Parnaibana, criada em 1976. Ainda como voluntária fazia visitas periódicas aos presos tendo tido papel relevante em todas as Campanhas Pró Alagados de nossa cidade.
Autora: Yeda de Moraes Souza Machado

Jeanete nas letras

Desde cedo Jeanete demonstrava amor às letras, gostando de ler e escrever. Era seu hábito preferido desde criança. Foi conhecida como mulher de muita leitura que nunca deixava de se abastecer de bons livros adquiridos em suas viagens. Sempre gostava de ter a mão uma cadernetinha, ou, um pedaço de papel, para ficar rabiscando algo que lhe viesse à mente... fazia pequenos versos...escrevia para parentes e amigos...registrava acontecimentos familiares em agendas de anotações. Destacou-se no colégio pelo seu gosto a leituras e facilidade de escrever, além de ter um tom de voz muito propício para declamar poesias.
Quando casou seu esposo Joaz instala em Parnaíba a primeira livraria de nossa cidade. Ela participa ativamente da escolha de bons livros para as vendas aproveitando, também, para suas leituras.
Em 1950, após sua viagem à Roma, mamãe muito dedicada à leitura de bons livros e de gostar de escrever, inicia uma nova fase em sua vida. Passa a se organizar melhor como escritora. Costumava dizer: ”O que se escreve é precioso por vários motivos. O vento não leva palavras escritas...Perpetua-se com mais facilidade o que se grava com letras sobre o papel”.
Na década de 60 Jeanete morando em Fortaleza e vinculada ao grupo de Franciscanas Seculares dedica-se a fazer palestras e incentivada resolve escrever seu primeiro livro: ”A Vida um hino de amor” que é impresso pela Editora do Convento dos Capuchinhos de Fortaleza-Ceará.
Passou a escrever assiduamente de 1983 a 1988, crônicas para jornal local: A Ação onde expõe seus pensamentos em coluna denominada: “Vivendo...Filosofando...” Escreve, periodicamente, para a revista: Paz e Bem, do Rio de Janeiro.
Começa a selecionar suas lindas poesias e sonha em algum dia divulgá-las. Escreve muitas peças de teatro. Faz dos acontecimentos da viagem a Roma verdadeiro livro. Inicia um livro aqui, outro acolá. Pega noutro caderno e começa a história de um romance. A partir daqui passa a fazer registro em seu diário procurando filosofar....oferecendo a seus filhos agendas com seus pensamentos sobre temas básicos da vida. Pensa e escreve seu Testamento. Escreve palestras, conferências. Idealiza novos livros e peças de teatros.
Entra na Academia Parnaibana de Letras em 1985 ocupante da cadeira 10, cujo Patrono é Francisco Ayres, hoje ocupada por seu filho Francisco.
Autoria: Yeda de Moraes Souza Machado

MENSAGEM DE YEDA A SUA MÃE JEANETE NO SEU CENTENÁRIO

Jeanete, minha querida mãe:
Hoje comemoramos teu Centenário. Vejo-te de feições tranquila com cabeleira branquinha, recebendo cada filho, familiar e amigo que chega, sentada em cadeira de balanço e, nas mãos trêmulas, seguras, entre os dedos um terço, joia tua única agora - inseparável e preferida- pois com 100 anos não consegues mais escrever e ler teus livros que foram tuas joias.
Mas, sabes mãe, teus livros e diários, são hoje nossas joias que guardamos com carinho, pois neles contém teus sábios pensamentos, conselhos, em forma do mais rico TESTAMENTO que uma mãe pode deixar a seus filhos. Não foi preciso advogado para a partilha de teus bens, pois “tudo deste a todos” e cada um de teus filhos, conforme sua necessidade, vai saciando sua sede, desse poço de sabedoria dando rota de vida.
Lembro que nos educaste para uma vida de partilha... partilha essa, que não devia ser só entre nós teus filhos,mas entre todas as criaturas,pois todos são nossos irmãos, filhos de um mesmo Pai, bondoso e misericordioso.Assim,temos agido no cotidiano de nossas vidas procurando partilhar ,em família, no trabalho e em sociedade.Teus livros, ricos tesouros que deixaste estão, também, sendo partilhados entre amigos e pessoas simples para quem de fato escreveste.
Especialmente, agora, queremos recordar o quanto foste sábia em nos ensinar tantas coisas que nos foram e são fundamentais em nossa vida. Escreveste:

“Deus nos criou por amor e para o amor!... A nossa missão no mundo não pode ser outra se não amar a Deus e ao próximo...
A fé não é indagação, é uma certeza. Acredita-se e pronto. Ficam para trás, as vacilações, os desânimos. Nossa vida a Deus pertence. Seja o que Deus quiser! Ele nos ama. É nosso Pai!”

Assim mãe, a fé e o amor tem sido nossa Luz. Pediste isso. Mas, continue a orar e com teu terço nas mãos para que a paz reine entre nós.
Um beijo de tua filha Yeda

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